Por Dóris Fialcoff- Redação Porto Cultura - 08/02/2010 | 14:57
Cena de Zona Franca (Foto: Daniel Cavana)
O VI Verão de Poesia da Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura - apresenta o projeto Poeta em Cena, a partir de 6 de fevereiro (sábado), com três espetáculos distintos: Cabaret Fracta, com poemas de Horácio Costa ; Deserto, com poemas de Micheliny Verunschk; e Zona Branca, com poemas de Ademir Assunção.
A temporada segue até 6 março, sempre aos sábados (19h, 20h e 21h) e domingos (18h, 19h e 20h), com apresentação, a cada dia, das três montagens, respectivamente Cabaret Fracta, Deserto e Zona Branca.
O projeto tem encenação assinada por Helder Mariani, sob pesquisa de Flávio Rodrigo Penteado. A iniciativa nasceu em 2008, para promover o encontro entre a poesia e o teatro por meio da encenação – e não declamação – de poemas de autores brasileiros contemporâneos. As apresentações revelam diferentes modos de visualizar os poemas dentro da linguagem cênica.
Sinopse dos espetáculos:
Cabaret Fracta (poemas de Horácio Costa) - Sensível aos problemas da pós-modernidade, a poesia de Horácio Costa mobiliza inúmeros registros linguísticos, além de referências culturais e literárias. Poeta andarilho, situa-se frequentemente no “entre”: não quer estar nem no fim nem no começo, nem no claro nem no escuro, senão mostrar-se sempre em estático movimento.
Deserto (poemas de Micheliny Verunschk) - A obra de Micheliny Verunschk continuamente aponta para o poder da poesia de instaurar outra realidade por meio da linguagem. A cartografia de seus poemas perfaz um caminho íntimo, mas no deserto: seco, porém mítico. Rica em contrastes, sua poesia extrai do conflito entre aparência e essência um inventário de belas imagens tramadas com rigor e sensibilidade.
Zona Branca (poemas de Ademir Assunção) - Um olhar mítico e estranho que se instaura sobre o mundo cotidiano. Na poesia de Ademir Assunção, os ritmos confluem e as referências se confundem: rock and roll, erotismo psicodélico, cultura pop, filosofia oriental, xamãs, orixás... Nela, a porosidade do “eu” põe em xeque a percepção do real, colocando-se no limiar entre sonho e realidade.
VI Verão de Poesia:
Projeto: Poeta em Cena
Espetáculos: Cabaret Fracta (poemas de Horácio Costa), Deserto (poemas de Micheliny Verunschk) e Zona Branca (poemas de Ademir Assunção).
Encenação: Helder Mariani
Pesquisa: Flávio Rodrigo Penteado
Elenco: Bruno Cavalcanti, Dagoberto Feliz, Daniel Costa, Daniel Kronenberg, Erickson Almeida, Fernando Oliveira, Flávia Teixeira e Paula Flaiban.
Iluminação: André Canto
Direção musical: Dagoberto Feliz
Assistência de direção: Daniel Kronenberg
Local: Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura
Avenida Paulista, nº. 37 – São Paulo/SP - Tel: (11) 3285-6986
Entrada franca - retirar ingressos 1h antes de cada espetáculo ( Um ingresso não é válido para as três apresentações).
Gênero: Teatro (poesia encenada) – Duração: 45 min (cada) – Capacidade: 20 lugares
Classificação etária: 14 anos Possui acesso universal e ar condicionado. Estacionamento conveniado: Patropi (Al. Santos, 74).
Site: http://www.poesis.org.br/casadasrosas. E-mail: contato.cr@poiesis.org.br.
Temporada: 6 de fevereiro a 6 de março de 2010
Não haverá apresentação no dia 20 de fevereiro.
Sábados (19h, 20h e 21h) e domingos (18h, 19h e 21h)
Sábados: 19 horas (Cabaret Fracta); 20 horas (Deserto); 21 horas (Zona Branca)
Domingos: 18 horas (Cabaret Fracta); 19 horas (Deserto); 20 horas (Zona Branca)
Os poetas:
Horácio Costa. São Paulo, SP, 1954. Poeta, professor e crítico literário. Formado em Arquitetura e Urbanismo (FAU-USP, 1978); Mestre em Letras (New York University, 1983), PhD em Yale (1994). Professor na UNAM (México), 1987-2001. Desde então, é professor da FFLCH-USP. No Brasil, publicou, entre outros: Satori (1989), Quadragésimo (1999), Fracta - antologia poética (2004) e Ravenalas (2008). Tem poemas ou livros traduzidos ao espanhol, inglês, francês, romeno, macedônio e búlgaro. Atualmente é presidente da ABEH - Associação Brasileira de Estudos da Homocultura.
Micheliny Verunschk. Recife, PB, 1972. Poeta e historiadora. Publicou os livros de poesia Geografia Íntima do Deserto (obra finalista do Prêmio Portugal Telecom) e O Observador e o Nada, ambos de 2003.
Ademir Assunção. Araraquara, SP, 1961. Poeta, prosador e jornalista. Trabalhou como repórter cultural nos jornais Folha de Londrina, O Estado de São Paulo e Jornal da Tarde. Foi editor-assistente do caderno Ilustrada, da Folha de São Paulo e editor-contribuinte da revista Marie Claire. Publicou, entre outros, os volumes de poesia LSD Nô (1994) e Zona Branca (2001), além do livro de contos A Máquina Peluda (1997) e do romance Adorável Criatura Frankstein (2003). Tem parcerias gravadas pelos compositores Itamar Assumpção, Edvaldo Santana e Madan.
Poeta em Cena - Histórico:
O projeto Poeta em Cena nasceu da necessidade de se encontrar um meio dinâmico e atraente para a difusão da obra de importantes poetas brasileiros contemporâneos, ainda pouco conhecidos pelo público em geral.
Com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, a primeira etapa da série foi desenvolvida na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, entre agosto e novembro de 2008. A cada mês, o ciclo empreendeu a encenação de poemas de um dos autores convidados, a saber: Roberto Piva, cujo livro de estreia, Paranoia (1963), transformou decisivamente o panorama da poesia brasileira de sua época; Glauco Mattoso, controverso autor surgido na década de 70, cuja produção sobrevive a rótulos como “marginal”, “punk” e “pós-maldito”; Alice Ruiz, poeta, letrista e compositora, cuja obra demonstra, desde o primeiro livro (Navalhanaliga, 1980), que simplicidade não corresponde, necessariamente, a simplismo de composição; e por fim, Paulo Ferraz, o mais jovem dos quatro poetas, cujo livro mais recente, o longo poema narrativo De novo nada (2007), alterna momentos de humor e melancolia marcados pela experiência urbana.
Mais do que provocar a representação dos textos, a primeira fase do projeto fomentou o diálogo entre artistas de mídias diferentes, abrindo espaço, no final de cada apresentação, para debate entre o poeta convidado, o diretor e o elenco. Esta etapa culminou na apresentação, em sequência, dos quatro poetas encenados dentro do V Verão de Poesia, em 2009, promovido pela Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, iniciativa apoiada pela Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo.
De maio a novembro de 2009, o projeto fixou residência na Casa das Rosas, a qual subsidiou a realização de outras peças teatrais que têm a poesia como base dramatúrgica. Nesta nova temporada, mais uma vez no âmbito VI Verão de Poesia, serão reapresentados os seguintes espetáculos: Cabaret Fracta, poemas de Horácio Costa; Deserto, poemas de Micheliny Verunschk; por fim, Zona Branca, poemas de Ademir Assunção.

Cena de Zona Franca (Foto: Daniel Cavana)

Cena de Cabaret Fracta (Foto: Divulgação)