Arte teatro-anonimo

Publicado em março 2, 2012 | por Jean Romeiro

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Teatro de Anônimo celebra 25 anos com três peças, no Rio

Melhor dos Mundos (Divulgação)

Melhor dos Mundos (Divulgação)

O premiado grupo Teatro de Anônimo está com 25 anos de idade. Uma biografia construída com muitas histórias fundamentadas em ideias e ideais. E para iniciar as comemorações de toda a trajetória dedicada ao universo do teatro cômico, da estética circense e do trabalho em parceria social, este ano o grupo presenteia a plateia carioca com três espetáculos em março: “Inaptos?” (2011) e “Melhor dos Mundos” (2010), ambos no Teatro Municipal Maria Clara Machado (Planetário da Gávea), e “Lar Doce Lar” (2006), no Teatro SESC Tijuca – única peça do grupo destinada exclusivamente ao público infantil.

Formado por jovens do subúrbio carioca em 1986, a ideia principal sempre foi a de produzir espetáculos onde a rua fosse sinônimo de palco e de “territórios flutuantes”. Com essa premissa o Teatro de Anônimo ganhou o mundo com suas apresentações, entre encontros e festivais, totalizando 10 espetáculos com cerca de mais de um milhão de expectadores. O grupo ainda promove inúmeros processos criativos, fazendo com que pesquisadores, técnicos, artistas populares, estudantes e mestres, troquem experiências e transmitam saberes, viabilizando o fomento e a formação de grupos e companhias jovens no cenário cultural brasileiro.

Um marco para o Anônimo foi a produção de um encontro em 1996 para comemorar 10 anos de vida e que acabou entrando para o calendário oficial do grupo: o Encontro Internacional de Palhaços Anjos do Picadeiro – um evento que hoje está entre os maiores do gênero no mundo e que, em suas 10 edições, já reuniu mais de 1000 grupos e artistas nacionais e internacionais.

“Um quarto de século, 25 anos de uma história construída cuidadosamente alicerçada em um modo de gestão coletiva, tendo o teatro popular como o grande guarda chuva para as experimentações estéticas”, enfatiza João Carlos Artigos, uma das cabeças pensantes do grupo, que se completa com Flávia Berton, Regina Oliveira, Maria Angélica Gomes, Shirley Britto e Fábio Freitas.

Mais em www.teatrodeanonimo.com.br

Teatro de Anônimo em Março:

Inaptos?
Comédia

Sob a direção de Adriana Schneider, os atores João Carlos Artigos (Seu Flor), Fábio Freitas (Prego) e Shirley Britto (Buscapé), da Cia. Teatro de Anônimo, estrelam o espetáculo “Inaptos?”, que fica em temporada do dia 3 de março até o dia 1º de abril, sábados (21h) e domingos (20h,) no Teatro Municipal Maria Clara Machado (Planetário da Gávea).

A peça, inspirada no livro “Vícios não são crimes”, de Lysander Spooner, incita a discussão a respeito das compulsões, do caos e das perversões da sociedade moderna. João Carlos, um dos fundadores do grupo, conta como surgiu a escolha do tema: “Um amigo me emprestou o livro e fiquei profundamente tocado pela premissa ‘o que diferencia o vício da virtude é apenas a intensidade’. E a persona do palhaço, por não ter problema em mostrar suas limitações e seus riscos, se encaixou perfeitamente para a abordagem”.

Na história, os personagens levam às últimas consequências a busca da felicidade, sem juízo de valor. As manias e obsessões que compõem o espetáculo vão desde a compulsão por plástico bolha, cirurgias plásticas e substâncias químicas, passando pelos games, até pelo fanatismo por religião. “Abordamos o tema do vício ligado ao aspecto da busca pela felicidade e à maneira como as pessoas se relacionam com isso, sob a lógica do absurdo”, explica a diretora.

Melhor dos Mundos
Drama

Em “Melhor dos mundos”, o Teatro de Anônimo participa de um novo desafio. Dirigida por Álvaro Assad (Cia. Etc e Tal), a peça é um recorte da existência de três mulheres e um homem que acomodados, aprisionados ou esquecidos num pequeno espaço, numa estranha realidade, se organizam ao redor de uma velha bicicleta. Nesse pequeno “organismo” imaginário, há um silencioso jogo de emoções, no qual as peças se movem muitas vezes por instinto.

A montagem utiliza uma pesquisa de movimento, a partir da bicicleta, para retratar as relações humanas de poder e conflito entre os personagens e suas estranhas histórias, em que eles misturam o real e o ilusório. O Espetáculo fica em cartaz do dia 1º a 30 de março, quinta e sexta, às 21 horas, no Teatro Municipal Maria Clara Machado (Planetário da Gávea).

Lar Doce Lar
Infantil

Lar Doce Lar se passa em um brechó cujos únicos brinquedos são duas bonecas, as personagens principais do espetáculo. Cora e Amélia, que um dia tiveram um lar e um dono para brincar, agora encontram-se esquecidas no meio de objetos velhos à venda no brechó. A grande expectativa de nossas personagens é voltar a ter um dono e retomar suas vidas normais de brinquedo. Afinal, a existência de um brinquedo só faz sentido na companhia das crianças.

A concepção estética do espetáculo foi pontuada por referências que remetem os pequenos espectadores ao universo lúdico do desenhos animados e histórias em quadrinhos. O cenário foi elaborado pra dar a impressão do que as crianças sentem em relação ao mundo ao seu redor, com objetos gigantes, exagerados e estranhos.

Lar Doce Lar valoriza o imaginário infantil através de uma reflexão sobre as velhas e novas formas de brincar. A direção é de Sérgio Machado.

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