ABL fecha a cara para o Carnaval. O Carnaval sorri para literatura
Foto: Guilherme Póvoas
No Rio, durante o Carnaval, tudo aquilo que não está muito ligado à festa acaba com suas portas fechadas. Em primeira análise, a Acadêmia Brasileira de Letras (ABL) mantém a máxima. Mesmo que a cidade reforce sua veia Torre de Babel, os turistas ficam impedidos de acessar as dependências do casarão da Avenida Presidente Wilson. A foto aí, clicada por este blogueiro na tarde de segunda-feira (20/2), mostra bem isso.
Contudo, se a burocracia dos Imortais tem esta tradição, o Carnaval sempre bebeu, comeu e foi ao banheiro de porta aberta ao longo de seu convívio com a literatura. Os desfiles da escola de samba do Rio nesta ano reforçaram isso com aquela estética que só “a maior festa do mundo” permite.
No domingo de Carnaval, a Imperatriz escancarou a vida e – principalmente – a obra de Jorge Amado com o enredo Jorge, Amado Jorge (joguinho de palavras bem óbvio e meia-boca, mas tá valendo). O primeiro livro do escritor, vale lembrar, chama-se O País do Carnaval (1931). Na mesma noite, a Mocidade de Padre Miguel trouxe Cândido Portinari com um carro escancarando Dom Quixote de La Mancha. Ainda tem a Salgueiro, que tratou da literatura de cordel e a Viradouro, do Grupo de Acesso, com Nelson Rodrigues
Se a turma das letras nunca foi da folia, a turma da folia sempre foi na onda das letras. O próprio Jorge Amado é hors concours em homenagem – até mesmo em São Paulo, pela Vai Vai, em 1988, o velho baiano já virou enredo. No geral, o mais marcante, que a minha humilde memória carnavalesca recorda, foi em 2010. A Salgueiro trouxe Histórias Sem Fim, sobre a trajetória da literatura mundial (só as fotos já arrepiam).
Pois é: são pelo menos quatro escolas do Rio, apenas neste ano, que tratam diretamente de literatura. E a Acadêmia Brasileira de Letras vira o rosto para a folia.
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Não sabia que a ABL fechava em tempos de carnaval. Lamentável. Já tinha me chamado a atenção o fato do carnaval estar aberto à literatura quando fui ao ensaio da Salgueiro. Fiquei feliz por eles terem falado sobre a literatura (encantadora) de Cordel.