A Cultura e Sustentabilidade em debate na CCMQ

Publicado em: 30 janeiro 2012

Na última semana a Casa de Cultura Mario Quintana tve uma circulação de 10 mil pessoas que acompanharam e participaram das oficinas, debates e diálogos do Conexões Globais 2.0, dentro da programação do Fórum Social Temático.

Nesse domingo (29) o público mais uma vez lotou o teatro Bruno Kiefer, para debater sobre A Cultura e o Desenvolvimento sustentável. O encontro foi promovido pelo Ministério da Cultura que realiza discussões pelo país a fim de preparar um documento a ser apresentado em junho na Rio+20 e teve o apoio da Secretaria de Estado da Cultura e da CCMQ.

Dividido em quatro painéis o seminário iniciou às 10h com o tema Cultura: pilar estratégico da sustentabilidade- com a participação do secretário Executivo do Ministério da Cultura, Vitor Ortiz, do secretário de Estado Adjunto da Cultura, Jéferson Assumção, do assessor Especial da Presidência do Instituto do Pratimônio Histórico Nacional (IPHAN), Luiz Torelly, e do vereador e Delegado de Cultura da Câmara Municipal de Barcelona (Espanha), Jordi Martí.

Geral com público (Divulgação)

Geral com público (Divulgação)

Vitor Ortiz destacou o protagonismo de Porto Alegre em discussões renovadoras do pensamento. Disse também que é necessário aprofundar o debate sobre a RIO+20 por causa das alterações das questões do debate ocasionadas pelas mudanças no mundo. “Entendo que neste momento o debate mais importante é o papel das políticas públicas do Estado para a conquista do desenvolvimento sustentável. O nosso grande desafio no setor cultural é encontrar o conceito de cultura na exata relevância que ele precisa ter no debate da sustentabilidade. Colocar o tema da cultura não penas como estratégico mas sim indispensável neste debate”.

Jéferson Assumção iniciou apresentando a Casa de Cultura Mario Quintana como o equipamento cultural mais importante do Governo do Estado, não apenas pela sua relevância histórica não só pelo acontece na cãs há muito anos, como pelo que ser quer que aconteça. “A questão da sustentabilidade passa pela cultura, passa pela discussão de valores, que é a cultura. Por discutir primeiro a diferença, já clássica, entre cultura e civilização, para pensarmos o papel da cultura no debate sobre sustentabilidade. A cultura qualifica todas as outras áreas do desenvolvimento. Estamos num momento difícil que é:
precisamos ser sistêmicos e complexos, pois qualquer resposta simplista nos levará a um resultado simplista em relação a este mundo complexo. Houve um avanço tão grande no campo da cultura em nosso país, hoje vivemos os movimentos sociais de cultura. Um movimento da sociedade em direção ao acesso à cultura, que gera ampliação da esfera crítica para debater os temas de um novo mundo”.

Jordi Marti disse que as melhores experiências ocorrem quando há consenso entre as diferentes formas de representação social. “ Este tema hoje aqui debatido é fundamental. A cultura é igual ao econômico e social na balança do desenvolvimento. A cultura é o 4º pilar do desenvolvimento. O problema é que temos indicadores econômicos, ambientais, socais, mas não temos indicadores do desenvolvimento cultural na sociedade de um país’. Jordi enumerou alguns pontos principais para que a cultura seja incluída como fator de desenvolvimento: “ouvir e incluir os movimentos das periferias, os movimentos digitais e os das artes visuais. As artes recuperam a ideia de cultura como experiência. Outro ponto é a Diversidade cultural. Estabelecer relações com todos esses movimentos sociais é indispensável para criar um novo modelo de desenvolvimento”.

Luiz Torelly direcionou o debate para o setor do patrimônio e sua preservação. “Este debate é diretamente proporcional ao alargamento do conceito de cultura. O patrimônio cultural é muito maior do que os prédios físicos tombados. Nas pesquisas que temos feito percebemos que há uma confusão grande sobre o que é o desenvolvimento sustentável, quase todos os lançamentos imobiliários de hoje se dizem sustentáveis. A palavra vem sofrendo um desgaste, então é importante que se retrate o que é o desenvolvimento sustentável, e mais ainda, será que ele é possível? O que precisamos fazer realmente? São questões que precisam ser aprofundadas. Precisamos talvez requalificar nossos conceitos”.

O PotenSocial da Cultura foi o segundo tema com apresentação das experiências em pesquisas sociais do doutor em antropologia socual e pesquisador da Universidade Federal do Amazonas, Alfredo Wagner, eda coordenadora de projetos estratégicos da Secretaria Municipal de Saneamento e Infraestrutura de Ananindeua(PA), Eliana Bogéa. A participação internacional foi da socióloga e doutora em antropologia social da Bolívia, Sarela Paz.

A economia criativa

A tarde iniciou com A dimensão econômica do desenvolvimento cultural tendo como debatedores a secretária de Economia Criativa do MinC, Cláudia Leitão, o economista da UFRGS e mestre em urbanismo, com ênfase em Economia da Cultura, Leandro Valiati e a especialista em Economia da Cultura do movimento internacional Crie Futuros (SP), Lala Deheinzelin.

Debate da tarde (Divulgação)

Debate da tarde (Divulgação)

Leandro Valiati, defendeu a capacidade da sociedade fazer e exercer suas escolhas como resultados da ação cultural de consumo e produção. “A cultura tem que ser um real e efetivo mecanismo de crescimento econômico, porque a criatividade traz a inovação social, que é o bem estar em termos de renda e desenvolvimento humano” disse.

Dando ênfase às ideias de Valiati, Cláudia Leitão, explicou as diretrizes da secretaria, criada para corresponder a esse novo olhar, ao reposicionamento da economia. “Há um campo cultural invisível, informal, para onde temos obrigação de olhar, apoiar e criar infraestrutura para atendê-lo”, explicou.

Lala Deheinzelin relacionou conceitos tradicionais de indicadores econômicos como matérias-primas e produtos com suas variáveis intangíveis, como criatividade, cultura e entretenimento sustentável. “Neste campo não há competição, há abundância e multiplicação”.

O seminário encerrou debatendo Diversidade e Sustentabilidade, com a participação do secretário de Políticas Culturais do MinC, Sérgio Mamberti que enfatiza a importância da participação das diversidades culturais na construção de um posicionamento sobre o desenvolvimento sustentável. “ É preciso valorizar a diversidade cultural para fazer com que segmentos socioculturais da sociedade se encontrem, se conheçam e possam conviver com respeito”.

Conclusões

A cultura precisa ser vista como um diferencial na construção de uma resposta aos desafios da sustentabilidade nos âmbitos global, nacional e local. O centro propulsor desta contribuição deve ser a cidadania e o acesso à cultura, a consolidação dos direitos culturais , a garantia da diversidade e de uma dimensão cultural do desenvolvimento. Cabe aos governos, aos mercados e à sociedade buscar a ampliação das políticas públicas e investimentos para a proteção e a valorização da diversidade e do patrimônio cultural dos povos, a promoção das artes e da cultura de modo geral.

Texto: Asscom Sedac

Fonte: SEC


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