
O arenito está sendo substituído por pedra sabão (Foto: SFS)
Rogério Bertoldo era agricultor, até alguns anos atrás. Algo esperado de alguém que mora no povoado de São João dos Mellos, vilarejo escondido entre lavouras de fumo e soja, no interior de Júlio de Castilhos. Hoje, ainda acorda cedo – pouco depois das 4h -, mas para uma rotina menos comum na colônia italiana: Bertoldo é adepto, e pratica diariamente, sequências de yoga, pilates e meditação. Mas o que mais chama atenção neste homem ovo-lacto-vegetariano é a outra manifestação de suas preferências ocidentais. O artesão esculpe, em tamanho real, as complicadas posturas dos sadus (os sagrados mestres indianos, sempre em busca da consciência plena).
A mudança de carreira aconteceu de forma inesperada. Rogério tornou-se escultor por acaso, “brincando” com peças em madeira. Evoluiu para o arenito e, hoje, trabalha com pedra sabão para haver maior durabilidade das peças. São jornadas de dez a doze horas diárias de labuta. Para conhecer o trabalho, é preciso encarar os 38km de estrada de chão batido que separam o local da BR-158, ou então economizar um pouco de gasolina – e arriscar a suspensão! – pela estrada de Ivorá, com menos de 30km de extensão.

Mais de 140 peças compõem o Jardim (Foto: SFS)
Algumas das esculturas representam, também, a vida em meio à natureza. Uma família de índios se esconde à sombra. Noutro canto, animais tomam banho de sol, caçam, fazem companhia aos homens sagrados. São mais de 140 estátuas que compõem o jardim que, aos poucos, toma forma de complexo cultural. Os recursos da família estão direcionados à construção de um espelho d’água, sanitários, espaço infantil, menos comum, uma lancheria lacto-vegetariana. Vale a pena visitar. O chimarrão e a conversa são cortesia da casa.
O espaço está aberto para visitas das 9 horas às 19 horas, aos sábados, domingos e feriados. Mais informações pelo telefone (55) 9924-4938 ou site www.jardimdasesculturas.com.br.
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